Você concorda com o debate sobre gênero nas escolas? O STF, sim. - Generalizando
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Você concorda com o debate sobre gênero nas escolas? O STF, sim.

Você concorda com o debate sobre gênero nas escolas? O STF, sim.

A escola é o lugar do aprendizado, das trocas e da socialização. É uma importante instituição social que tem a função de permitir o debate, acolher a diversidade e ajudar a formar cidadãos mais conscientes de seu papel na sociedade.

Essa instituição é o lugar da primeira experiência da criança com o outro ou os outros, muitas vezes tão diferentes de nós. O que é a escola senão o lugar da diversidade social? E essa diversidade é parte constituinte dela.

Entretanto, de um tempo para cá a premissa citada acima vem ganhando resistências e críticas, que se fortaleceram o com o movimento chamado Escola Sem Partido. Dentre a agenda de demanda desse movimento está o combate a abordagem de gênero nas escolas, o que esses grupos, incluindo grupos religiosos, passaram a denominar de “ideologia de gênero”.

Cabe salientar, que esse termo não é reconhecido cientificamente. Nenhum estudioso ou pesquisador das relações de gênero tratam essa discussão como “ideologia”. Ela não existe! Não é reconhecida na comunidade científica e nem entre os educadores. A não ser nos discursos daqueles que se colocam contra a problematização da temática gênero na escola.

Os estudos de gênero se debruçam sobre as relações constituídas socialmente entre homens e mulheres. Abordam a questão do preconceito e da desigualdade baseada no gênero, além de estudar as identidades. Essas reflexões não são apenas importantes, mas essenciais para a construção de cidadãos mais conscientes e sensíveis a essas situações.

Com a abordagem de gênero é possível conscientizar meninas sobre os impactos negativos de uma gravidez sem planejamento ainda na adolescência, trabalhar a empatia e a solidariedade. Essa abordagem possibilita ainda, conscientização contra a discriminação e violência vivida por meninas, mulheres e a população LGBT.

No dia 24 de abril os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) votaram, mais uma vez, contra uma lei municipal que vetava a discussão de gênero nas escolas, desta vez em Nova Gama (GO). O entendimento por parte do Supremo sobre a inconstitucionalidade de leis municipais com esse teor,  significa mais uma vitória para todos os que defendem uma educação de qualidade, que promova autonomia e que colabore com a formação de cidadãos críticos e solidários com as minorias sociais.

A igualdade de gênero é um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Por isso, sua inclusão em espaços de formação e de debate por excelência, como é o caso da escola, se faz necessário e urgente. Toda forma de resistência a essa agenda, batizando-a de ideologia, cumpre o papel de retrocesso e de preconceito que nada colabora com a construção de uma sociedade mais justa.

Marusa Silva

Marusa Silva

Doutora em Sociologia Política, pesquisadora e autora de livros e artigos sobre desigualdade de gênero e integrante do Atelier de estudos de gênero da Universidade Estadual do Norte Fluminense – RJ

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